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Globo na defensiva


Os funcionários da Rede Globo, abaixo-assinados, vêm a público, de forma emocional, denunciar jornalistas que fizeram críticas à atuação desta empresa no caso do atraso da notícia sobre a queda do avião da Gol. É público e notório que esta notícia foi relegada a um segundo plano, para que a edição do JN pudesse dar destaque à divulgação das fotos do dinheiro apreendido pela PF e que seria usado para comprar um dossiê contra José Serra.

É preciso ser muito ingênuo para aceitar, sem críticas, o tal abaixo-assinado. Como bem demonstrou Raimundo Pereira em reportagem publicada na revista Carta Capital, a divulgação das fotos foi um bem montado esquema para prejudicar diretamente a campanha de Lula. A repercussão desta reportagem, feita de acordo com os bons critérios do jornalismo investigativo, coisa rara na grande imprensa, desnuda o comportamento da Globo e da sua equipe de jornalistas neste episódio. Isto obrigou o diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo Ali Kamel a escrever um longo artigo, onde tenta se justificar.

Agora, a própria equipe de jornalismo também vem a público com este intuito. É preciso lembrar a estes profissionais, que o esquema das fotos foi denunciado de "dentro da casa" pelo jornalista Luiz Carlos Azenha em 18/10/06 nos mínimos detalhes. Assim, fica muito difícil de acreditar que não houve segundas intenções da Globo no atraso da divulgação da queda do avião, como quer fazer crer este grupo de jornalistas. Tal notícia tiraria o impacto da divulgação das fotos pelo JN e minimizaria o efeito que a Globo desejava provocar na opinião pública com esta matéria.

Em se tratando da Rede Globo, tudo é possível. Não podemos nunca nos esquecer, que foi esta empresa que promoveu manipulações que se tornaram casos clássicos no meio jornalístico brasileiro, tais como o comício das Diretas Já em São Paulo e o debate entre Collor e Lula. Desta forma, não se está sendo injusto ao lançar suspeição sobre o comportamento dessa empresa. Os profissionais, que nela trabalham, precisam entender que pagam pelo ônus de ter seu nome vinculado à Rede Globo. O que espanta é que esses profissionais, conhecendo a linha editorial desta empresa e sem poder de incidir sobre ela, lançam-se voluntariosamente na defesa dos seus patrões.

É preciso levar em conta também um novo fenômeno que tomou impulso considerável nestas eleições: a enorme quantidade de informações disponíveis na Internet, principalmente de blogues e sítios independentes, que se transformaram em uma alternativa na busca de informações com qualidade, quebrando, de certa forma, o oligopólio midiático brasileiro. Apesar da inclusão digital não atingir toda a população brasileira, a rede veiculou informações críveis que, de uma forma ou de outra, terminaram por influenciar um determinado segmento da população que teve acesso a ela. Estas duas manifestações recentes, de Ali Kamel e da equipe de jornalismo da Globo, demonstram que esta empresa não consegue mais manter aquela soberba que sempre a caracterizou. Os funcionários da Rede Globo precisaram se defender e defender a empresa na qual trabalham. Isto ficou bem evidente.

A livre circulação das informações no espaço cibernético, onde realmente está acontecendo jornalismo de qualidade e democrático, pois permite a rápida interação com o público leitor, quebrou a lógica de que tudo que é veiculado na grande imprensa é a expressão da verdade.
 

Porto Alegre, 29 de Outubro de 2006

 

Eugênio de Faria Neves e Claudia Cardoso.


Abaixo-assinado jornalistas da Globo - Do portal Conversa Afiada# Paulo Henrique Amorim
> http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/397001-397500/397371/397371_1.html <
Os jornalistas da Rede Globo envolvidos diretamente na cobertura do acidente entre o avião da Gol e o Legacy - e colegas que testemunharam nosso trabalho naquela noite no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, e das afiliadas da Globo em Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus - encaminham este abaixo-assinado e agradecem sua publicação.

Mônica Maria Barbosa
chefe de produção do Jornal Nacional

Com revolta, perplexidade e pesar, nós, jornalistas da Rede Globo, nos vemos no dever de denunciar a insistente tentativa de atingir nossa honra e nossa correção profissional por alguns supostos colegas nestes dias que antecedem o encerramento das eleições 2006.
A despeito da descrição minuciosa já divulgada pela emissora do nosso esforço para apurar com precisão as primeiras informações sobre o acidente aéreo de 29 de setembro na Amazônia, o fato de não termos conseguido obter dados fundamentais para a publicação da notícia ainda naquela edição do Jornal Nacional, mas, sim, poucos minutos depois, acabou sendo utilizado para atacar nossa idoneidade com uma impostura covarde: a acusação caluniosa de que teríamos sonegado a informação sobre o acidente, no Jornal Nacional, com motivação política.
Em nome de nossa honra, queremos registrar publicamente o repúdio aos caluniadores – sejam eles movidos por paixões partidárias ou por outras razões que desconhecemos.
Tudo o que levamos ao conhecimento dos brasileiros sobre aquele acidente estava rigorosamente correto. Nenhuma informação por nós divulgada nos obrigou, depois, a desmentidos ou correções, como aconteceu com outros veículos, que divulgaram notícias incompletas ou mesmo inverídicas. Temos a convicção de que realizamos nosso trabalho com a correção e a responsabilidade que ele exige. Só havia dois caminhos a trilhar: publicar rumores não apurados, que levariam angústia a milhões de amigos e parentes de quem pudesse ter viajado naquele dia em qualquer avião da Gol, ou publicar a notícia com o grau de precisão exigido em tragédias daquela natureza. Este seria o caminho do jornalista responsável. E foi o que decidimos trilhar, poucos minutos depois do encerramento do Jornal nacional, em plantão, com informações oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil e da empresa Gol.
Nosso esforço, em nossas carreiras profissionais, na Globo e em outras empresas por que já passamos, é o mesmo de todos os que amam o jornalismo responsável: divulgar, antes dos concorrentes, a notícia que apuramos. Foram angustiantes aqueles momentos em que tentávamos, de todas as maneiras, divulgar a notícia a contento antes do “Boa Noite” do JN. É um daqueles momentos dramáticos que só quem trabalha em redação vivencia. Um momento que nossos colegas do jornal O Estado de São Paulo também devem ter experimentado. Diante da dificuldade de apuração de um caso potencialmente trágico, em local geograficamente isolado, o primeiro clichê do Estadão no sábado, 30 de setembro, fechado às 21:h00, nem mencionava o acidente. Na Folha de S.Paulo, tudo o que foi possível apurar no mesmo horário, para o primeiro clichê, se resumiu a uma nota na primeira página, cujo conteúdo era próximo daquele que divulgamos, no mesmo horário, em nosso plantão. E nada mais. É o preço de se fazer um jornalismo responsável.
O que não toleramos é que, no caso dos profissionais da Rede Globo, a nossa postura correta de cautela e busca da precisão seja transformada numa mentira covarde e desonesta de um certo grupo de detratores. Estes, sim, traidores de um compromisso ético do jornalismo – porque nos acusam sem o menor pudor, sem conhecimento nenhum de nossos procedimentos.
Em nome de nossa honra, nós, jornalistas da Rede Globo, registramos publicamente nosso repúdio às calúnias que têm sido feitas contra nosso trabalho na cobertura das eleições 2006. Somos jornalistas compromissados com a nossa profissão. Confiamos cada um no trabalho do colega ao lado. Jamais tomaríamos parte de complôs de natureza partidária, ou de qualquer outra, que, na verdade, têm vida apenas na cabeça daqueles que, dominados pela paixão política, não se envergonham de caluniar profissionais honestos.

Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus, 27 de outubro de 2006

ALBERT STEINBERGER
ALEXANDRE MATTOSO
ALEXANDRE DOS SANTOS
ANGÉLICA CAMARGO
ALINE RABELLO
ANA DORNELES
ANA HELENA GOMES
ANA LUIZA GUIMARÃES
ANA PAULA BRASIL
ANA RAQUEL COPETTI (CAMPO GRANDE)
ANA RITA MENDONÇA
ANA VOLPE (CAMPO GRANDE)
ANDREA MAGALHÃES
ANGELA GARAMBONE
ANTÔNIO LOUZADAS
AVA NÓBREGA
AZUL RUIZ
BRAZ VIEIRA
BRUNA VIANA
CÁTIA LUZ
CARLOS EDUARDO BAUER
CARLOS JARDIM
CARLOS DE LANNOY
CARLOS MONFORTE
CECÍLIA MALAN
CECÍLIA NEGRÃO
CÉSAR TRALLI
CLÁUDIA GUIMARÃES
CLÉBER PRAXEDES
CHICO WALCACER
CHRISTIANE ALBUQUERQUE
CHRISTIANE PELAJO
CHRISTINA CABO
CRISTIANE GOMES
CRISTINA SERRA
CRISTIANA VON RANDOW
DAGOBERTO SOUTO MAIOR
DANILO GARCIA
DELIS ORTIZ
DENISE LACERDA
EDGAR DE ANDRADE
EDSON CORDEIRO
EDVALDO SANTOS
ELEIDA GÓIS
ELISA MATTOS
ELISABETH COSTA
ELISABETTE LUCCHESE
ELY CHAGAS
ELZA GIMENEZ
ERIC HART
ERICK BRÊTAS
ESDRAS PAIVA
EUNICE SCHOLZE
FÁBIO WILLIAM
FABRÍCIO MARTA
FÁTIMA BATISTA
FÁTIMA BERNARDES
FÁTIMA GOMES
FERNANDA ANDRADE
FERNANDA MENEGOTTO
FERNANDO CASTRO
FERNANDO MOLICA
FRANCESCA TERRANOVA
FRANCISCA MEDEIROS (CUIABÁ)
GIULIANA MORRONE
HELOÍSA TORRES
HÉLTER DUARTE
HERALDO PEREIRA
HONÓRIO JACOMETTO (CAMPO GRANDE)
IAIN SEMPLE
IVANDRA PREVIDI
IVAN MONTEIRO
LUCIANA GIRADELO (CUIABÁ)
JOÃO CARLOS TRINDADE
JOÃO CLÁUDIO NETTO
JOÃO MARCOS ROCHA
JOÃO RAIMUNDO
JORGE SACRAMENTO
JOSÉ ALAN DIAS
JOSÉ CARLOS
JOSÉ EDVALDO XAVIER
JOSUEL AVILA
JUAREZ DORNELLES
JUAREZ PASSOS
JULIANA GANZ
JÚLIO MOSQUERA
LARISSA BITENCOURT
LÁZARO ALUIZIO
LEILA MAIA
LEONARDO PEDRO (BELÉM)
LEO OLIVEIRA (CUIABÁ)
LETÍCIA BRAGAGLIA
LILIANE YUSIM
LÚCIA CASTRO
LUCIANA BISTANE
LUCIANA CORDEIRO
LUCIANO VENDRAME (CUIABÁ)
LÚCIO ALVES
LUIZ FERNANDO ÁVILA
LUIZ GONZAGA PINTO
MALU GUIMARÃES
MANOEL LENALDO
MARCELO MENDES
MARCELO OUTEIRAL
MÁRCIO MUNIZ
MARCIONE SANTANA
MÁRCIO STERNICK
MARCOS MENDES
MARIA BEATRIZ SANSON
MARIA JOSÉ SANCHES
MARIA THEREZA PINHEIRO
MARIANO BONI
MÁRIO REIS
MAURÍCIO BARINI
MAURO JANUÁRIO
MAURO JUNIOR (CUIABÁ)
MEG CUNHA
MIGUEL ATHAYDE
MONA BITTENCOURT
MÔNICA MALTA
MÔNICA MARIA BARBOSA
MÔNICA MARLI
MONYCKA MARIAHL (CUIABÁ)
NÉLIO HORTA
PATRÍCIA VOLPI
PAULA LEVY
PAULO ROBERTO SAMPAIO
PRISCILLA PASQUARELLI (MANAUS)
REGINA MONTELLA
RENATA CAPUCCI
RENATA POMPEU
RENATA RODRIGUES
RENATA VASCONCELLOS
RENATO BIAZZI (CUIABÁ)
RICARDO CALIL
RICARDO JACOMO
RICARDO RODRIGUES
RICARDO VILLELA
RITA DE CÁSSIA BARRETO
ROBERTO ARANHA
ROBERTA FERRAZ
ROBERTO MACHADO
ROBERTO PAIVA (BELÉM)
ROBSON BIÉ
RODRIGO AMORIM (CUIABÁ)
RODRIGO BOCARDI
ROGÉRIO IMBUZEIRO
ROGÉRIO NERY
ROMILDO GOMES
ROSANA TEIXEIRA
ROSANE BAPTISTA
SALVATORE CASELLA
SAMUEL MOTA (BELÉM)
SANTIAGO DELLAPE
SAULO DE LA RUE
SILVIA SAYÃO
SUSANA NASPOLINI
TÂNIA BELLANI
TÂNIA MENEZES (BELÉM)
TATIANA NASCIMENTO
TERESA CAVALLEIRO
TINO MARCOS
TONICO DUARTE
VERA SOUTO
VIANEY BENTES
VINÍCIUS MENEZES
VLADIMIR NETTO
WALTER MESQUITA
WILLIAM BONNER
WILLIAM WAACK
WILSON DE SOUSA
ZILEIDE SILVA
 

  Esta página foi produzida em 30-outubro-2006

UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL
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